
No Brasil este tipo de trabalho começou a ser desenvolvido a partir da década de 1950, em museus do Rio de Janeiro. Hoje já é comum encontrarmos instituições voltadas à arte contemporânea com programas educativos bem estruturados, como é o caso do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e o Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho (Minas Gerais), só para citar alguns.
Mas apesar da longa história da arte-educação em espaços expositivos, ainda vemos resistência por parte de algumas instituições acadêmicas em se aproximar de tal prática e contribuir para sua melhora. Ao contrário, o que acontece é o distanciamento acompanhado de duras críticas a qualquer iniciativa. A impressão que se tem é de que o que se quer é deixar tudo como está, a arte elitizada, e o povão ignorante, acreditando que arte é Leonardo Da Vinci, que arte é pintura e que arte é o belo.
Porém, hoje estava lendo uma entrevista com o professor de filosofia e crítico de arte Arthur Danto, sobre a filosofia da arte, e me deparei com uma afirmação muito interessante feita por ele: "(...) O museu é um fórum, e grande parte da arte tem conotações políticas. Mas há ainda um longo caminho, que se relaciona à educação, para que finalmente consigamos convencer os cidadãos a aceitarem de bom grado que seu dinheiro seja aplicado no patrocínio a um tipo de arte que eles muitas vezes acham repugnante. (...)"
Não sou eu quem está dizendo, é o Danto. Apesar de ele não falar especificamente em arte-educação dentro de espaço expositivo, acredito que a afirmação é suficiente para entendermos que na sua visão a educação tem um papel determinante na democratização da arte. Ainda mais num país como o Brasil, de sistema educacional público tão frágil e falho, principalmente no que diz respeito à arte-educação.
Leia a entrevista na íntegra e tire suas próprias conclusões:
http://www.scielo.br/pdf/nec/n73/a09n73.pdf
Saiba mais sobre:
Ruskin - http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Ruskin
William Morris - http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Morris
Referências bibliográficas:
- BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte: Anos oitenta e novos tempos. 6. ed. – São Paulo: Perspectiva, 2005.
- PEVSNER, Nikolaus. Os pioneiros do desenho moderno: de William Morris a Walter Gropius. São Paulo: Martins Fontes, 1980.