sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Guerra no Rio de Janeiro: quem dá poder ao tráfico?

 

Sobre essa confusão toda no Rio de Janeiro, o poder do tráfico não vai acabar enquanto as pessoas quiserem consumir cocaína. Enquanto houver mercado haverá tráfico. Quem dá poder ao tráfico é quem consome. O grande problema da nossa sociedade é essa hipocrisia. Até agora na TV não se falou em consumo de drogas, mercado consumidor... só se fala em ataques a ônibus e carros e na polícia, ou seja na violência... como se tudo isso começasse do nada. Das festas regadas a cocaína, tanto no morro quanto no asfalto, entre os playboys, patricinhas, políticos, atrizes e atores da globo, trabalhadores, gente comum, não se fala.

Mas não se engane, sou a favor das ações que o governo do Rio tem tomado, inclusive essa de hoje, com apoio logístico da Marinha. Acredito que vão resultar, pelo menos temporariamente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

II Congresso de Língua Portuguesa


O II Congresso de Língua Portuguesa, que o Instituto Piaget organiza através do Centro Internacional de Investigação, Epistemologia e Reflexão Transdisciplinar, procura promover o debate acerca de algumas das mais importantes dimensões da promoção e difusão da língua portuguesa e da Lusofonia.
Criadores, académicos, jornalistas que têm como traço comum o envolvimento em projectos de valorização e difusão da Língua Portuguesa, deram-nos a honra de aceitar o nosso convite para se debruçarem sobre o seis temas:
  • • O Português como Língua de Identidade e Criação;
  • • Unidade e Diversidade da Língua Portuguesa;
  • • O Português nos Media e no Ciberespaço;
  • • O Português como Língua de Ciência;
  • • O Ensino do Português;
  • • O Português nos Grandes Espaços Linguísticos e Económicos.
A partilha do seu saber e experiência constituir-se-á certamente como uma ocasião de aprendizagem, reflexão e debate para todos aqueles que se interessam pela valorização da sexta língua mais falada em todo o mundo e pelo fortalecimento do espaço da lusofonia.

Dormitório perto da Laguna Colorada: 4.700 m de altitude e o silêncio do amanhecer no deserto

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sobre a constrangedora e abusiva ação da polícia militar gaúcha durante performance da escritora Telma Scherer na 56ª Feira do Livro em Porto Alegre: registro em vídeo



Felizmente algumas pessoas que estavam no local fizeram registros e divulgaram no Youtube essa vergonhosa ação que foi, pelo menos, um abuso de poder da Polícia Militar gaúcha. Nós artistas de Porto Alegre não deixaremos de nos manifestar publicamente, não nos intimidaremos por essa polícia que se demonstra ignorante e truculenta. 

A cidade é nossa, é de todos e, portanto, ocupemos nosso espaço, façamos nossa arte, cantemos, dancemos, joguemos bola, namoremos em suas ruas, suas praças e seus parques. Não tenhamos medo da violência, seja ela de bandidos ou de policiais, pois esses casos são minoria. E estejamos juntos, nos reunamos no espaço público para mostrar nossa força. Façamos festas nas praças para que o morador de rua dance ao lado do playboy, para que o poeta diga poesias para o engenheiro, para que a escritora se inspire com a cabeleireira, e que o medo diminua e a alegria aumente.

Uma jóia do deserto: Tupiza, na Bolívia.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Uma jóia do deserto: Tupiza, na Bolívia.



A agradável Tupiza, a mais de 3.000m de altitude, no meio das montanhas do deserto do Sudoeste da Bolívia, num belo dia de Sol.

sábado, 13 de novembro de 2010

Escritora realiza performance na Feira do Livro e é retirada por policiais

Veja a notícia no site da Rádio Guaíba:
http://www.radioguaiba.com.br/Noticias/?Noticia=221522

A escritora Telma Scherer, minha amiga, retirada com truculência da Feira do Livro de Porto Alegre!

Abaixo, as palavras da Telma sobre essa agressão absurda.

Enquanto eu estava fazendo a minha performance, na Praça da Alfândega, fui cercada por aproximadamente dez policiais e retirada de lá contra a minha vontade.

Os policiais primeiro me levaram para fora da Praça, longe das luzes da Feira, acompanhada pelos brigadianos e duas motos, na presença de um grande público, amigos, leitores.

Perguntei o que estava acontecendo e disseram que eu precisava me identificar.

Depois me pegaram pelo braço e me puseram dentro de uma viatura com quatro policiais. Perguntei o que estava acontecendo e me disseram que eu estava sendo levada para fazer exames médicos. Eu chorava copiosamente pensando que, diante do público da Feira, eu era tratada como uma doente mental, bandida, criminosa, perturbadora da paz. E sem entender o que estava acontecendo, o que fiz de culpável.

Não fizeram qualquer exame. Apenas aguardei até que o vice-presidente da Feira chegou na delegacia e conversamos. Eu falei o óbvio: que a imagem poética é plurissignificativa, eu estava realizando uma manifestação artística, apenas, e em nenhum momento compreendi qual o crime que eu estava cometendo e nem o porque de ser retirada dessa forma.

Eu quis apenas expressar sentimentos relacionados à vivência que tive nos últimos meses, quando acumulei muitas contas e tive que deixar o apartamento onde morava. Formei com as contas uma imagem poética em três dimensões, pus meu corpo em cena e utilizei alguns objetos cênicos.

O público parece ter se identificado, pois foi muito receptivo e acolhedor. Foi por causa dele que fiquei até o fim. Agradeço às pessoas que se manifestaram apoiando-me e inclusive revoltando-se com aquela situação.

O público leitor. Foi para encontrá-lo que fiz minha performance. Ela não incentiva a leitura? O vice presidente da Câmara disse que o objetivo da Feira é incentivar a leitura, quando o perguntei.

É para o público que eu escrevo e pretendo escrever o melhor possível. Ainda que, às vezes, seja difícil encontrar um lugar adequado para isso.

Estou chocada e sem compreender o porque de toda essa truculência com uma escritora em praça pública. Ora, uma escritora conversando com o público em um evento literário de repente tem de ser retirada dessa forma, como se estivesse cometendo crimes hediondos? Cada um interpreta uma performance à sua maneira, se o chapéu caiu certeiro na consciência de quem se incomodou com a minha presença, não posso fazer mais do que dizer: essa interpretação é sua.

O pior foi ter de interromper a minha performance. Eu estava em cena. Já fui contratada tantas vezes para fazer performances de poesia pelos próprios promotores do evento. Se buscarem os guias da Feira dos anos anteriores verão que estive na programação de 2009, 2008, 2007... Em 2010, não enviei propostas de atividades simplesmente porque, no ano passado, cansei demais. Convidaram-me para o Feira Fora da Feira, aceitei, e estou fazendo performances nas comunidades, aos sábados. Já estive na Lomba do Pinheiro, na Tristeza e amanhã, abalada moralmente, humilhada e entristecida, irei até o Morro da Cruz cumprir a atividade do Feira Fora da Feira.

Por que fui calada?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Afinal de contas, de quem é o interesse em derrubar o ENEM?

Desde que o ENEM surgiu e passou a ser aceito por várias instituições de ensino superior como parte da avaliação de seleção para ingresso, uma parcela da sociedade vem criticando e atacando sistematicamente a prova. Não sei exatamente que parcela é essa, quem são essas pessoas, e não percebo claramente qual o motivo dos ataques.

É claro que houve problemas na aplicação do ENEM, uma prova única aplicada em todo o país. A tarefa é insana, megalomaníaca quase, mas ela vem para buscar melhorar e equalizar o sistema de seleção das Universidades e Faculdades, na intenção de democratizar o acesso ao ensino superior. Será que as pessoas que são contra o ENEM são as mesmas que são contra o sistema de cotas nas universidades federais?

Quem é contra o sistema de cotas? Quem não é de origem indígena, africana, ou pobre, nem estudou em escola pública a vida toda.

Pois bem, tenho um caso para expor, de uma pessoa próxima, para exemplificar meu ponto de vista.
Tenho uma prima, a Samanta, que só está se formando em Fonoaudiologia no IPA graças ao PROUNI. É uma mulher jovem, negra, trabalhadora e de família pobre. Não fosse o ENEM e o PROUNI ela não teria acesso ao ensino superior e daria continuidade ao ciclo de pobreza da família, ou pelo menos teria muito mais dificuldades para mudar a situação. O acesso à faculdade lhe ampliou os horizontes, ela se aculturou, amadureceu, passou a acreditar mais em si e serviu como exemplo para os irmãos e primos.  Fez um concurso no Banrisul, passou e hoje, antes de se formar, já tem outra vida, com bom emprego, bom salário e casa própria. Lembrando que o resultado do ENEM é fundamental para que se consiga uma bolsa do PROUNI.

Acho muito estranha a postura da Rede Globo que em seus telejornais dá um caráter negativo e pesado ao ENEM a cada vez que o menciona, sempre ressaltando os problemas, omitindo o quão importante é o ENEM para uma melhora no nosso sistema de ensino. Se o ENEM desse ano for cancelado, e os responsáveis já anunciaram medidas para que nenhum estudante saia prejudicado, quem perde é a educação brasileira e a sociedade como um todo. Nunca vi a Rede Globo criticando o vestibular, que estressa nossos estudantes e seleciona de forma injusta e desequilibrada os calouros das universidades federais. A seleção nos países desenvolvidos está mais para ENEM do que para vestibular.

Outra coisa: o ENEM privilegia os estudantes que raciocinam bem, que são capazes de fazer relações, e não aqueles que decoraram bem todas as fórmulas. Poderia-se dizer que a prova do ENEM é mais humana.

Quem tem interesse nisso?? Não sei.

É muito importante que o ENEM dê certo, que essa prova não seja cancelada, pois, além do transtorno, tem o enorme gasto de dinheiro público que já foi feito e teria de ser refeito.

Espero que os sabotadores percam desta vez! 
Sim creio que haja sabotagem envolvida, mas não se fala nisso, por quê?

Penso ser fundamental uma discussão sobre isso aqui na internet, pois na televisão a mensagem imposta é: cancelem o ENEM, esta bagunça desnecessária!
 
Afinal, alguém sabe de quem é o interesse no fracasso do ENEM?

domingo, 7 de novembro de 2010

Cerro de siete colores 2: agora com a prometida trilha sonora!



Esse vídeo foi editado e tem, além de imagens de outro vídeo da mesma região, trilha sonora do David Bowie, Space Oddity.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Despedida do Salar do Uyuni



A emoção da despedida do lugar mais incrível onde já estive.

Inóspito: cabelos ao vento na Laguna Verde



Quando passamos pela Laguna Verde, no dia 13 de outubro de 2010, o vento estava tão forte que por duas vezes tive que segurar a câmera e o tripé que haviam sido derrubados por ele. Além disso, estava bem frio, algo como 10º. A secura do deserto, os desconfortos provocados pela altitude e o Sol forte, além do vento, tornaram a experiência neste lugar algo um tanto duro. Inóspito!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Laguna Verde



Devido ao vento extremamente forte (quase derrubou a câmera e o tripé várias vezes) que deixava a água muito mexida, não pudemos ver com clareza o efeito da cor verde da água da laguna, que tem essa coloração devido aos metais que ela contém.

Laguna Colorada: ainda estamos na Terra?



No deserto da Bolívia, a caminho do Salar do Uyuni, ao Sul do Salar e a Oeste de Tupiza, um lugar de rara beleza, onde três cores imperam: o azul do céu, o vermelho das montanhas e da laguna e o branco do chão. Parecia que eu tava em outro planeta! O chão da Lua e as montanhas e laguna de Marte! Imaginei o David Bowie do meu lado, tocando Space Oddity.

Vista da Borda Norte do Salar do Uyuni



Após uma ótima noite de sono num confortável hotel de sal ao pé do Vulcão Tunupa, nos despedimos do salar assistindo ao amanhecer. Depois disso pegamos a estrada rumo à La Paz. Só 12 horas de carro. Ao todo, percorremos mais de dois mil quilômetros de carro, entre Jujuy no Norte da Argentina e La Paz.

Aventuras na Bolívia: na toca do Puma!


Estávamos eu e meus parceiros de viagem ao norte da cidade de Tupiza, numa região muito bonita, montanhosa, bela vegetação, muitos cactus e lhamas, quando percebi a beleza das fendas na base das montanhas. Decidi dar uma olhada mais de perto. Me separei do grupo e andei cerca de 100m até chegar a uma das fendas. Subida bastante íngreme no início, com muito cascalho e terra, escorregadio e cheio de plantas espinhosas. Depois de passar por estes obstáculos cheguei na entrada da fenda. Lugar bacana, mas um pouco sombrio. De qualquer forma, fiquei ali um pouco, curtindo aquele clima, me sentindo o Indiana Jones. Quando voltei ao grupo, na base da montanha, onde estavam os jipes e nossos guias, comentei todo faceiro sobre onde tinha ido. Um deles, o serelepe David, perguntou logo:
- Estebán, não ficaste com medo?? E eu logo respondi que não, que nem era tão escuro assim e tal... e ele em seguida me disse:
- Os pumas costumam fazer tocas em fendas como essa!
Santa ignorância! Depois disso, vi uma foto no hotel, de dois pumas em sua toca... e era exatamente como o lugar onde estive...
Enfim, aventuras na Bolívia! Fuerza Bolívia!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sobre o deserto

O oceano se entrega e evapora
o sal teimoso fica e acumula
o céu azul repousa preguiçoso
a nuvem branca, tímida, desintegra
o ar e o sol ressecam tudo
e eu, pequeno, me expando.